Em pleno arranque do período teoricamente mais crítico, do ano, no que a incêndios florestais diz respeito, os Bombeiros Voluntários de Anadia garantem ter tudo a postos, para qualquer eventualidade. Eduardo Matos, comandante daquela corporação, manifestou-se optimista, em declarações ao RB. Mas não deixou de soltar algumas preocupações, quanto aos comportamentos de risco que, apesar de serem em muito menor número, ainda persistem.
Com quase metade do concelho de mancha florestal (cerca de 11 mil hectares), é uma missão de alto risco, aquela que cabe aos Bombeiros Voluntários de Anadia.
O comandante confirma esse facto e admite que são as zonas serranas, que fazem fronteira com os concelhos de Mealhada e Mortágua, as mais problemáticas.
Neste particular, o relevo é o principal obstáculo, por ser bastante acentuado. E aponta o caminho: “o melhor combate é mesmo a prevenção. E essa é uma missão que nos compete a todos”.
Face a estes primeiros dias de calor bem acima da média, a preocupação também cresce. Até porque, como lembra Eduardo Matos, a condição atmosférica tem uma grande influência.
E desenganem-se os que pensam que as intensas chuvas que caíram no último Inverno tiveram um efeito, exclusivamente, benéfico, para os bombeiros. Se é certo que aumentaram os recursos hídricos e trouxeram maior capacidade às barragens da região (uma vantagem para o abastecimento dos autotanques), não deixa de ser verdade que também fizeram com que a matéria combustível aumentasse, significativamente. A vegetação cresceu muito mais, do que em anos menos chuvosos.
Até ao momento ainda não se registam ocorrências significativas, mas o risco é redobrado, em dias como os últimos, com temperaturas tão elevadas. Está montado o dispositivo especial de combate a incêndios florestais, com duas equipas de combate a incêndios florestais e uma equipa logística de apoio ao combate.
À margem deste dispositivo, estão ainda cerca de 100 homens no corpo activo. Todos com papeis a desempenhar, não só nesta mas noutras áreas, bem distintas.
O parque de viaturas está igualmente preparado, com todos os carros operacionais. Mesmo que, a média de idade, seja bastante elevada. O comandante admite que gostaria de ter outro cenário, até porque a mais recente, no que respeita às de combate a incêndios florestais, é de 1997. Mas também reconhece que em tempos de crise, tem mesmo que haver contenção.
Assim, para evitar males maiores, não deixa de apelas às populações para que evitem comportamentos de risco, e lembra que “grande parte das vezes os incêndios devem-se às pessoas que não sabem trabalhar o fogo”. “Era bom que não fossem feitas queimadas e que não sejam deixados detritos florestais, nas matas. Até porque são quase sempre esses detritos os principais focos de incêndio”, rematou.
Renato Paulo Duarte
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